Não Competitivas

Para além das secções competitivas, o FEST também incluiu uma série de sessões temáticas, expandindo o alcance do evento para outros sectores e horizontes. Desde retrospetivas regionais a novos conteúdos de média, as linhas que demarcam a separação entre espaço, tempo e o cinema são desafiadas até ao limite. 

Na nossa 17ª edição, não seria de esperar menos.

Sessões Especiais

A nossas sessões de abertura e encerramento têm vindo a ser frequentemente os pontos altos da programação de cinema.

Filmes como Tangerine de Sean Baker (EUA), Everybody Knows de Asghar Farhadi (Irão), 10.000 KM de Carlos Marques Marcet (Espanha), Birth de Jonathan Glazer (Reino Unido), Tom of Finland de Dome Karukauski (Suécia/Finlândia), Dementia 13 de Francis Ford Coppola (EUA) ou a longa-metragem de estreia de Wes Anderson, Bottle Rocket, cativaram o nosso público de forma implacável, iniciando e encerrando algumas das nossas edições passadas em grande.

A edição de 2021 não será exceção. Ao longo da semana do FEST, várias outras produções e formatos, incluindo sessões especializadas para públicos radicalmente diferentes, como crianças e idosos, complementarão o nosso programa de forma a torná-lo inesquecível.

 

Flavours of the World

Com um acesso de tal forma privilegiado a tantas produções de jovens cineastas do mundo inteiro, uma espécie de narrativa foi-se construindo inesperadamente.

Progressivamente se tornou óbvio que alguns países e regiões são particularmente eficientes no que toca à criação de condições ideias para o surgimento de novos talentos. Igualmente relevante, uma coleção de filmes extraordinários oriundos dos lugares mais inesperados cruzam-se constantemente pelo nosso caminho, anunciando a chegada de novos movimentos cinematográficos.

Foi deste conjunto de fenómenos que nasceu a nossa secção Flavours of the World, uma série de retrospetivas regionais designadas a revelar e expor alguns dos mais promissores artistas prontos a assumir um papel de destaque na cena mundial.

Por esta secção já passaram muitos dos nomes que hoje andam pelas bocas do mundo do cinema. Artistas como a Radu Jude (Romenia), Renata Gąsiorowska (Polónia), Jacqueline Lentzou (Grécia), Behzad Azadi (Irão), Tudor Cristian Jurgiu (Roménia), Andrea Harkin (Rep. Irlanda) ou Konstatina Kotzamani (Grécia) são apenas alguns exemplos. No passado recente, esta secção já abriu as portas da nova cinematografia de países como a Noruega, Dinamarca, Porto Rico, Canadá, Suécia, Áustria, Japão, Bélgica, Lituânia ou Islândia.

 

Ao longo dos anos fomos sempre dando grande destaque nos nossos programas a cineastas catalães como Carlos Marques Mercet,  Marc Crehuet ou Sergi Perez, entre muitos outros exemplos. Mas foi especialmente nos últimos três anos que se tornou óbvio que algo está em movimento na Catalunha, uma região com uma identidade muito vincada e que sempre foi um ponto de encontro das artes.

Por isso, na 17ª edição, no ano em que o festival recebe umas das mais celebradas autoras da região, Isabel Coixet, o grande foco do Flavours of the World será finalmente dado à região da Catalunha, num programa de curtas-metragens de alguns dos mais promissores novos realizadores catalães.

 

Ecos

À medida que um festival cresce, também cresce o seu alcance e a sua perspectiva do porquê de se fazer cinema no século XXI. O espectro de trabalhos que foram cruzando o nosso caminho nos últimos anos, deixou-nos sedentos de criar uma nova plataforma que nos permitisse completar o processo de reflectir os novos ambientes dentro da cena cinematográfica. Com essa nova necessidade em mente, nasceu a Ecos: a nova secção onde as nossas audiências terão a oportunidade de mergulhar um pouco mais profundamente, para além do horizonte das nossas competições tradicionais, e continuar a viagem de descoberta de novos mundos na grande tela.

A secção Ecos tem como objectivo seleccionar uma serie de programas repletos de trabalhos de cineastas seleccionados em anos anteriores, lado a lado com obras recentes de autores que temos seguido com a máxima atenção, e que claramente estão já deixar a sua própria marca no cinema contemporâneo.

 

Be Kind Rewind

Com um enfoque tão grande no futuro do cinema, é compreensível que se multiplique a ideia de que o FEST caminha num só sentido.

Sem compreender o passado, é difícil desenvolver um sentido correto do futuro, por isso, de forma a garantir que o que passou não é esquecido, foi criado a Be Kind Rewind, uma secção focada em retrospetivas e sessões temáticas que cobrem uma multitude de assuntos e artistas.

No passado, esta secção já abordou temas como o papel da mulher no cinema, diferentes movimentos políticos, a insanidade do cinema Norte Coreano, tal como a cinematografia de cineastas como L.M. Kit Carson, entre outros.

 

Nesta 17ª edição do festival, a realizadora catalã Isabel Coixet é o foco da secção Be Kind Rewind. Durante a retrospetiva vão ser exibidos, entre outros, os filmes The Bookshop (2017), Nobody Wants the Night (2015), Learning to Drive (2014), Ayer No Termina Nunca (2013), Elegia (2008), The Secret Life of Words (2005), My Life Without Me (2003); e a curta-metragem No Es Tan Fria Siberia (2016).

Coixet é considerada uma das pioneiras na luta pela igualdade de género na indústria cinematográfica, tanto no seu país, como internacionalmente. O seu cinema lida frequentemente com muitos dos conflitos existencialistas mais relevantes dos nossos tempos, transformando-a num caso raro de sucesso internacional, com várias obras notáveis no outro lado do atlântico.